TEXTOS DO LIVRO "O CAIR DA TARDE"
Poesia e Prosa de
Rosimeire Leal da Motta Piredda

Editora CBJE - Rio de Janeiro - Brasil
Julho/ 2012

 

 

TAXI:
ONTEM, HOJE E SEMPRE

Rosimeire Leal da Motta Piredda

Entrevista com o taxista:
Sr. Walter Luiz Valger Reisen.
Vila Velha - ES -
Tel (27) 99972-6031
Tel: (27) 3219-5124
Tel: (27) 3034-0871

 

Entrevista com um taxista.
Como se tornar um taxista.
O que é necessário para ser um taxista.
Documentos necessários para ser taxista
Vantagens e desvantagens de ser taxista.
O dia a dia de um taxista.
Como atuar como taxista.
Ser taxista dá dinheiro?

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TAXI:
ONTEM, HOJE E SEMPRE
Rosimeire Leal da Motta Pireddda

OBS. Entrevista com um taxista. Como se tornar um taxista. Vantagens e desvantagens de ser taxista. O que é necessário para ser um taxista. O dia a dia de um taxista. Documentos necessários para ser taxista.

As informações deste texto sobre o serviço de táxi, referem-se ao município de Vila Velha (ES)

 

O ser humano está continuamente em movimento, indo e vindo.

Antigamente, para sair de um ponto para outro, somente era possível ir andando. Para longa distância era necessário pernoitar e seguir viagem no dia seguinte.

Com a evolução, o homem desenvolveu outras possibilidades, ampliando seus horizontes e aumentando suas chances de ir mais adiante: a cavalo, em bote, barco, avião, carro, trem, bonde, ônibus, táxi...

Meia-noite. Um veículo se aproxima do portão do salão onde se encerrava um baile de formatura. Era o táxi que eu chamara, pois a estas horas, quando não se tem carro próprio ou um amigo para ir de carona, é a única opção de transporte.

O que é TÁXI?

Veículo de aluguel equipado com taxímetro (aparelho que mede a distância e calcula a quantia a ser paga: despesa + medidor).

Há circunstâncias onde é preferível chamar um táxi: ir ao médico, ir ou voltar de festas (devido às poucas vagas de estacionamento ou porque bebida e volante não combinam), ir ao aeroporto ou a rodoviária, em viagens, compras no centro comercial (shopping center), visitar amigos, na saída do mercado quando se está com muitas sacolas, tempo chuvoso, quando se está atrasado e ir de ônibus implica em atraso, em situações de um membro da família estar doente, quem sofreu algum tipo de acidente ou sofre de paralisia nas pernas e sente dificuldade para locomover-se, etc. Há sempre alguém vivendo momentos de urgência ou emergência e o táxi entra como um salva-vidas, agilizando o transporte para que as pessoas possam cumprir os compromissos.

A palavra chave para usar o táxi é segurança!

Mas, para aqueles que dispõem de poucos recursos aquisitivos, ir de táxi, nem pensar! Melhor ir de ônibus, é mais barato. O táxi não é utilizado pelo povo em geral por ser um transporte individual de tarifa comparativamente alta em relação aos transportes de massa, que têm rotas pré-estabelecidas, horários fixos, tarifas publicadas e são acessíveis economicamente a todos. Por exemplo, o preço da passagem de ônibus para ir do centro de Vila Velha (ES) ao centro de Vitória (ES) é R$ 2,30 (dois reais e trinta centavos), mas o mesmo percurso realizado em táxi custa R$ 50,00 (cinquenta reais).

A profissão de transportar pessoas em uma grande cidade a qualquer um que solicite este serviço, surgiu com a invenção do riquixá - carro de duas rodas puxado por um só homem, comum na Antiguidade, porém exclusivo das elites, que possuíam escravos para puxar esses carros.

Nas ruas da Roma Antiga circulavam liteiras, uma espécie de cadeira coberta e apoiada sobre varas compridas, transportadas por dois ou quatro escravos que levavam quem quer que as solicitasse. Essa pessoa teria de pagar apenas o preço previamente estipulado pelo amo desses escravos. Após a queda do Império Romano do Ocidente, os primitivos carros e carruagens começaram a desaparecer das grandes metrópoles, tal como a sua população, que foi para o meio rural à procura de subsistência. Este acontecimento ditou o fim dos serviços de transporte público e privado.

Na Idade Média, o transporte de pessoas era assegurado por carruagens muito rudimentares de tração animal que, no Renascimento, foram melhoradas com o acréscimo de ornamentos, cobertura e cortinas. Em 1605, apareceram, em Londres, as primeiras carruagens de aluguel - as hackneys. Quatro anos após, houve engarrafamento nas principais ruas da metrópole, o que levou o Parlamento a limitar o número destes veículos a circular. Não só em Londres havia problemas de tráfego: em Paris, as carruagens corbillards e sociables (carruagem aberta com dois assentos um em frente do outro), fizeram um estrondoso sucesso no século XVII. Nos finais do mesmo século, surgiram na Alemanha outros tipos inovadores de carruagem: Landau e landaulet (versão conversível). No século XVIII, foram criados novos modelos de carruagens: gig, na França, que deu origem ao tilibury na Inglaterra e posteriormente ao cabriolet. No século XIX, qualquer grande cidade tinha centenas, ou mesmo milhares deste "moderno meio de transporte".

Na Inglaterra a palavra cabriolet foi reduzida para CAB, com o mesmo sentido.

O cocheiro era conhecido como cabby, mas este termo não é mais utilizado, preferindo-se táxi driver. No Brasil, o antigo cocheiro virou chofer de praça, chofer de táxi e atualmente são chamados de motoristas de táxi ou taxistas.

No fim do século XIX, inventou-se um aparelho mecânico para possibilitar o pagamento do uso dos cabriolés em função da distância: o taxímetro (táximeter). Os cabriolés assim equipados foram chamados de táximeter cab, termo reduzido para táxicab.

Continuando o processo de abreviação vocabular, chegou-se ao táxi.

Com o advento do automóvel, a mesma terminologia foi transferida para as "carruagens sem cavalos".

Os primeiros táxis motorizados surgiram em 1896 em Estugarda (Alemanha). No ano seguinte, Freidrich Greiner abriu uma empresa na mesma cidade: os seus carros continham um sistema inédito de cobrança - o taxímetro. A implantação dos táxis generalizou-se em 1907. Nesse mesmo ano, em Paris, todos os carros de aluguel deviam possuir um taxímetro obrigado por lei. Antes da primeira guerra mundial todas as principais cidades europeias e norte-americanas contavam com táxis legais e pintados com esquemas de cores diferentes. Desde então, as alterações foram poucas, apenas nos acessórios instalados nos carros, tais como um rádio ou ar condicionado.

Na atualidade, a profissão do taxista está em destaque devido ao crescimento da população com alto e médio poder aquisitivo, a construção de novos shoppings (centros comerciais), empresas, áreas de lazer, supermercados, hospitais e outros estabelecimentos que demandam esse tipo de serviço.

Quem é o taxista nos dias de hoje?

É aquele que trabalha como motorista de táxi, transportando pessoas com veículo próprio ou de frota, mediante pagamento de tarifas de quilometragem e/ou tempo. Segundo o cantor Roberto Carlos, o taxista é um analista urbano (porque ouve com paciência as várias histórias dos passageiros e até dá conselhos, ri com as piadas e segura às lágrimas quando a narrativa é triste). É um profissional que nos faz ganhar tempo e espaço.

Ser taxista é uma opção para quem quer trabalhar por conta própria e fazer os próprios horários.

Moro em Vila Velha (ES) e, por isto, as informações deste texto, sobre o serviço de táxi, referem-se a este município.

Para ser taxista, antes de qualquer coisa, é necessário ter um ponto (lugar onde o taxista fica estacionado para esperar o cliente; deve-se comprar de alguém que queira vender ou participar de um sorteio); a seguir, precisa ser um profissional habilitado em curso de formação de condutores. Ter ao menos a escolaridade mínima (ensino fundamental), Possuir carro próprio ou carro de frota de táxis (da empresa). Ir a Prefeitura e apresentar Atestado de antecedentes criminais e pagar uma taxa para tirar a Carteira de Permissão de taxista. É exigida a Carteira de habilitação na categoria "D" (condutor de veículo motorizado utilizado no transporte de passageiros, cuja lotação exceda a oito lugares, excluído o do motorista; para habilitar-se nesta categoria, o condutor deve estar habilitado há, pelo menos, um ano na categoria C ou há dois anos na categoria B e não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima, nem ser reincidente em infrações médias nos últimos doze meses). Nos outros Estados o procedimento é o mesmo.

A concessão do ponto e a permissão para ser taxista são de responsabilidade da prefeitura: os interessados se inscrevem e os novos alvarás são concedidos por sorteio da Loteria Federal.

Permissionário é o dono da permissão. Defensor é o motorista que trabalha por comissão de 40% (quarenta por cento) do dinheiro arrecadado durante o período trabalhado; o dono do veículo leva 60% (sessenta por cento).

Atualmente rodam no município apenas veículos com, no máximo, cinco anos de uso, nas cores prata e branco. A maioria dos carros é do tipo sedã, com porta malas espaçosos e ar condicionado (entende-se por sedã um carro com duas fileiras de bancos, com espaço considerável no banco de trás para três adultos, e um compartimento traseiro, geralmente para bagagens). A meta da prefeitura de Vila Velha é alcançar a idade média da frota de dois anos.

Para tornar a cidade cada vez mais acessível e humanizada, a Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (Semtran) irá conceder permissões a cinco táxis adaptados para transporte de pessoas com mobilidade reduzida.

Em 2009 foi realizada a padronização de todos os 562 táxis do município e a obrigatoriedade do uso de uniformes pelos motoristas: camisa social de manga curta ou pólo na cor azul claro, calça social na cor preta e sapato fechado na cor preta. Toda a frota de Vila Velha, de acordo com o layout oficial da prefeitura, possui o nome do ponto e o número de registro que identifica o táxi pintado na lateral do veículo com as cores da bandeira do município. No interior do veículo, o taxista deve deixar expostos e visíveis o seu nome, a placa do veículo, o número da permissão e o certificado de legalização assinado pela prefeitura. O objetivo é valorizar a categoria e impedir que a clandestinidade opere no município. O transporte via táxi está mais seguro e com melhor qualidade para atender aos usuários.

O reajuste do valor das tarifas do serviço de táxi é decidido pelo Conselho Municipal de Transportes e Trânsito, grupo formado por usuários do sistema de transporte, representantes de conselhos comunitários, empresários, funcionários, do Sindicato dos Taxistas e da prefeitura.

Em 2011 foi implantado o monitoramento de toda a frota por meio de um sistema rastreador eletrônico: as informações sobre as rotas dos veículos permissionados são enviadas para a Semtran, para a empresa responsável pela instalação, para o Sindicato dos Taxistas e para o Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes). Este recurso tecnológico vai permitir que a Secretária de Segurança Pública (Sesp) saiba onde o taxista está 24 horas por dia e garantirá maior segurança tanto para os passageiros quanto para os motoristas. Além disso, privilegiará os profissionais que trabalham com seriedade, diferindo-os daqueles que utilizam os veículos para fins escusos, praticando crimes ou auxiliando na efetivação dos delitos. A instalação é gratuita e cada permissionário paga uma taxa de manutenção por mês. O procedimento de instalação do equipamento dura cerca de duas horas. No inicio, houve resistência para adesão ao projeto.

Anualmente a Semtran realiza a aferição anual dos taxímetros de Vila Velha para constatar as perfeitas condições do aparelho e reajustar o valor da quilometragem e da bandeirada, de acordo com o aumento concedido pelo Conselho Municipal de Transporte. A calibragem é feita pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). O permissionário deverá pegar a autorização para a aferição na Coordenação de Transportes da Semtran. A seguir, o taxista terá que comparecer ao Inmetro para realizar a aferição em uma das oficinas credenciadas pelo Instituto. Após a alteração no taxímetro, os fiscais do órgão acompanham o permissionário em um teste de pista, para certificar a aferição. Tais procedimentos garantem ao usuário do táxi a transparência no valor a ser cobrado pela corrida.

Nos serviços de táxi comum, calcula-se a tarifa por meio de um taxímetro: este é previamente aferido e calcula a tarifa a partir do somatório da tarifa inicial, também conhecida como bandeirada, com a tarifa métrica ou horária. A tarifa métrica mais comumente utilizada é a bandeira 1; a bandeira 2 costuma ser acionada quando há fatores que justifiquem um acréscimo no valor da corrida (horário noturno, estrada de terra, etc.) O taxímetro comuta o sistema de medição para tarifa horária, quando o veículo está em baixa velocidade ou parado.

A bandeira 1, por exemplo, deve ser usada dentro do município do próprio táxi. Exemplo: táxi de Vitória faz bandeira 1 dentro de Vitória (ES). Mas, se o veículo é de Vitória e faz uma corrida até Vila Velha (ES), a bandeira pode ser trocada em qualquer horário. Também muda de bandeira a partir das 22hs diariamente (mesmo dentro do mesmo município) e nos domingos e feriados durante o dia todo.

Quando a corrida sai de um município e vai para outro, os taxistas têm a orientação de só trocar a bandeira de 1 para 2 quando o táxi já está na cidade de destino, por exemplo, trocar a bandeira em cima de uma ponte.

O município de Vitória (ES) é uma ilha e é ligado ao município de Vila Velha (ES) por três pontes. Se você está em Vila Velha indo para Vitória, só troca no pedágio que há na ponte. E se está em Vitória indo para Vila Velha, troca quando acabar a ponte.

Ao pedir um táxi, o taxímetro já começa a corrida contando um valor. Muitas vezes, o taxista está longe da sua localização e precisa fazer um longo deslocamento. Mas também pode acontecer de ele estar próximo de você e chegar rapidamente. Independente da distância, o taxímetro possui uma margem de segurança para cobrir financeiramente esse deslocamento do local onde está até o início da sua corrida. Essa é a chamada bandeirada, que é o valor inicial da tarifa. O valor de cobrança é tabelado por cada município.

Se, no meio da corrida, o táxi enfrenta um engarrafamento, o taxímetro continua rodando. É nessa hora que começa a valer a chamada "hora parada". No engarrafamento o taxímetro passa para a hora parada automaticamente. É só perceber que quando o carro fica parado, aparece um pontinho piscando no taxímetro.

Mas a hora parada não é apenas para momentos de engarrafamento. A qualquer momento em que o carro sofre um processo de frenagem completo, o cálculo do taxímetro é alterado automaticamente e inicia a cobrança diferenciada. É o caso de uma corrida que, antes de chegar ao destino final, exige que o carro pare em algum lugar para deixar parte dos passageiros, por exemplo.

O taxista é um profissional que trabalha com o ser humano, convivendo com diferentes tipos de pessoas e se expondo ao "bom ou mau" humor de cada passageiro. Por isto é importante observar algumas características, como: paciência, responsabilidade, prestatividade, cordialidade, boa comunicação, educação, sem nunca se intrometer em conversas dos passageiros que estão em seu táxi, sabedoria no falar e no agir, criatividade, reserva, observação, calma, boa noção de direção, gosto pelo trabalho de dirigir, boa memória, capacidade de atenção ao trânsito, conhecimento das ruas e avenidas da cidade onde trabalha (para levar pessoas aos mais variados lugares escolhendo os melhores caminhos). Para os turistas, são indicadores de hotéis, bares mais acessíveis e restaurantes de qualidade.

Quem é nervoso e impaciente, não permanece nesta profissão por muito tempo.

O taxista transporta passageiros dentro de um mesmo município ou até em viagens para outras localidades, pode também transportar objetos e/ou documentos, solicitados previamente por seu dono ou responsável. O taxista pode atuar somente no município em que reside, nunca podendo pegar passageiros em outras cidades que não sejam a sua. Entretanto, ele pode levar passageiros do lugar em que mora para outras localidades, inclusive em estados diferentes. Há muitos taxistas que trabalham usando o próprio veículo, porém, hoje em dia, pode-se verificar uma expansão das empresas de táxis, que têm seus próprios motoristas filiados. Neste caso, através do rádio instalado dentro do veículo, o motorista se comunica com a sede para saber a localização e o destino do próximo passageiro. A vantagem de se trabalhar em táxis de frota de empresas é a garantia de se conseguir passageiros em diversas horas do dia, sem ter que procurar pelas ruas das cidades. O segmento do mercado que mais tem crescido é o do "rádio táxi", no qual as pessoas telefonam para uma empresa, solicitando os serviços do motorista, para determinada hora e local.

Entrevistei um amigo do meu pai que é motorista de táxi desde 1974. Ele vive e trabalha em Vila Velha (ES): o Sr. Walter Luiz Valger Reisen.

O seu ponto de táxi está localizado à Rua Felipe Camarão, no bairro Santa Inês, próximo ao posto de combustível "Sete", em Vila Velha (ES), onde os carros param em fila. A ordem de chegada ao ponto de táxi determina a de saída.

Escolheu esta profissão porque sempre gostou de dirigir (já foi motorista de caminhão e de ônibus), é muito comunicativo e aprecia lidar com as pessoas. Reconhece que é um serviço muito arriscado por causa da crescente violência nos centros urbanos, mas os laços de amizades que construiu servem de motivação para seguir adiante. Tratar o passageiro com carinho é a fórmula para ser continuamente solicitado.

Esta profissão combina com sua personalidade devido ao convívio diário com as pessoas, mas transportar alguém de temperamento difícil, o deixa meio desanimado; entretanto usa de sabedoria para não entrar em atrito. Diariamente a paciência é posta a prova.

Atualmente somente trabalha durante o dia, de segunda a sexta-feira; aos sábados e domingos descansa ou vai para a roça. Deixou de trabalhar à noite por ser muito perigoso.

Enquanto espera surgir algum cliente na fila do táxi, fica lendo jornal, não gosta de ficar conversando em grupos.

Às vezes, o chamam por telefone (clientes que conquistou ao longo dos anos e lhe dão a preferência), outros o contratam no ponto de táxi e ainda há aqueles que vendo passar, acenam. Neste caso, ele para e em algumas situações, desce do carro e abre a porta.

Raramente os passageiros ficam calados todo o tempo, geralmente falam de futebol, da vida pessoal, sobre a família, das esposas, dos filhos, histórias, desabafos, pedem conselhos, mas quando se calam o trajeto parece ser mais longo.

Quando o passageiro de algum modo está incomodando, dá um jeito de dispensá-lo, concluindo o mais rápido possível a viagem. O tipo de passageiro que não gosta é bêbado ou drogado. Já transportou várias pessoas assim quando trabalhava à noite, mas era muito desagradável porque são enjoados, sempre se atrapalham ao informar o endereço, criam casos, um horror! Walter conta que, certa vez foi transportar um bêbado; no meio do caminho o homem abriu a janela do carro, vomitou e de repente gritou: "Pare o carro, pare o carro! Caiu a minha dentadura." Walter, estacionou o táxi e o passageiro procurou e depois de vinte minutos ele disse: "Vamos embora que eu achei" E Colocou a dentadura na boca sem lavar.

Já transportou turistas cariocas, paulistas e estrangeiros (alemães, portugueses e espanhóis).

O seu dia-a-dia varia muito: às vezes é monótono ou muito corrido, sendo sempre muito estressante devido ao trânsito, barulho de buzinas e ao calor, mas durante o percurso quando está dirigindo, o passageiro vai conversando e os aspectos ruins deixam de incomodar. Ao chegar ao ponto de táxi não sabe qual será o seu destino e isto, por si só, já é emocionante e no fim do dia tem histórias para contar: boas ou ruins. É sempre um dia diferente do outro. Às vezes, surgem aventuras com mulheres.

Foi contratado para levar pessoas para outros Estados como Bahia, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, adquirindo uma riquíssima experiência e doces recordações. Quando foi à Bahia no seu carro, o tanque de combustível furou por causa de uma pedra e os passageiros foram pacientes, esperando até que o conserto fosse feito. Certa vez levou um cliente mal educado que quase lhe tirou o prazer de viajar. Acidente nunca sofreu: nem com passageiros, nem sozinho.

Nunca aconteceu de o cliente não querer pagar a conta, porque Walter procura saber para onde ele está indo e para disfarçar, pergunta se ele tem dinheiro trocado para pagar a corrida.

Costuma transportar, por dia, vinte a trinta passageiros. Por mês a média é de cem a cento e vinte passageiros.

O taxista não pode recusar uma chamada, a não ser por embriaguez, doença contagiosa, com marginal que confessa que vai fazer coisa errada ou no caso de temporal. Então a solução é dizer que tem outra corrida marcada por telefone.

O tempo influi na sua rotina de trabalho: calor demais traz o mau humor e a chuva com temporal atrapalha devido ao alagamento e da dificuldade para conduzir o carro, correndo o risco de danificar o motor; porém, há muitas chamadas no tempo chuvoso. De outubro a fevereiro é uma época próspera, quando há mais clientes. O período do carnaval é muito bom, porque há muitos turistas, o clima é de muita folia e sem dúvida surgem mais clientes. No Natal e no Ano Novo o que se destacam são as compras, festas e praias, as pessoas gastam mais dinheiro e os taxistas trabalham mais e os lucros aumentam. De março a setembro o movimento é razoável.

O horário em que é mais solicitado é na parte da manhã porque as pessoas vão ao médico ou a praia; quando trabalhava à noite era mais requisitado após a meia-noite, nos finais dos bailes.

A sua preocupação constante é a pontualidade, mas há alguns fatores que faz com que demore um pouco para chegar ao local da chamada, por exemplo: engarrafamento no trânsito.

Quando o cliente desiste de ir de táxi, ele cobra R$ 5,00 (cinco reais), pois gastou gasolina para ir ao endereço.

O que mais o orgulha nesta profissão é dirigir e ser honesto com seus clientes ao prestar seus serviços (ligando sempre o taxímetro nas bandeiras e limites de municípios e horários estabelecidos por lei), utiliza sempre o trajeto normal da corrida, que não onere o bolso do passageiro. Há taxistas que são desonestos que cobram fora do taxímetro: não ligam o aparelho e querem cobrar a mais, por exemplo, se a corrida seria de R$ 10,00 (dez reais), eles querem cobrar de R$ 20,00 (vinte reais). O preço justo é cobrado por quilômetro rodado.

Já foi assaltado cinco vezes: Perdeu dois carros e nas outras vezes ocorreram perdas materiais. Todas às vezes, o assaltante era o passageiro.

Rotina de todo motorista: verificação do nível de óleo, combustível, calibragem dos pneus, nível de água, reabastecer com gasolina, etc.

Um ponto negativo nesta profissão é que o custo para a manutenção do carro é muito alto devido ao valor das peças e da mão de obra das oficinas que varia muito de uma para a outra. As taxas que todo taxista deve pagar também são caras: o ISS (Imposto Sobre Serviços), a Taxa da Carteirinha de Taxista e a Taxa da Vistoria.

Há rivalidade entre os taxistas pela disputa de passageiros, mas nunca teve problemas, porque quem escolhe é o cliente. Sempre esteve em perfeita harmonia no convívio com seus colegas de trabalho.

Poucas mulheres trabalham como taxistas, pois são desestimuladas pelos colegas de trabalho ou pelos passageiros.

Doenças que o taxista adquire ao longo da sua jornada de trabalho: depressão, stress, cansaço, dores na coluna, rins, hemorroida, hérnia de disco, etc.

A profissão de taxista já foi rentável, hoje em dia, só dá para o necessário.

Encerrando a entrevista, o Sr. Walter diz que depois de tanto tempo de serviço prestado ao volante, faz planos para se aposentar, pois já se sente cansado pelos anos de trabalho.

Ás vezes, o taxista é o vilão. Li no jornal a notícia de que, no Rio de Janeiro, um taxista foi acusado de estuprar passageiras e foi preso. Segundo a polícia, o motorista usava uma arma de brinquedo para render as mulheres e as estuprava em motéis ou matagais. O táxi Fiat Siena usado pelo acusado foi roubado. Porém, neste caso era um falso taxista. Então vale o alerta de dar preferência a motoristas conhecidos.

Com a crescente violência cotidiana, a família do taxista vive em clima tenso, pela preocupação com o que pode ocorrer com o marido, ou o filho, ou o irmão que exerce esta profissão. O interesse em melhorar esta situação é uma preocupação frequente da Prefeitura e o sistema de monitoramento da frota promete dar a este meio de transporte a segurança que estava faltando, ou ao menos diminuir um pouco.

Uma amiga me contou que gostava muito de frequentar jogos de bingo. Certa madrugada, saiu do bingo com uma companheira que morava no mesmo bairro; as duas, sem um centavo no bolso e, devido ao horário, não havia nenhum ônibus circulando. Então, com "a cara e a coragem", abordou um taxista e relatou a situação propondo deixar sua carteira de identidade até poder pagar. Ele não aceitou, mas um colega seu, ouvindo a conversa, prontificou-se a levá-las em casa, sem querer ficar com o documento. Foi um gesto muito humano que a comoveu profundamente. Assim que recebeu seu salário, quitou sua dívida e sempre que precisava de táxi, este taxista era o escolhido.

Alguns filmes já tiveram o táxi como cenário e várias músicas com este tema foram grandes sucessos.

Em 2011, a profissão de taxista foi regulamentada. Com isso, esses profissionais - sejam eles autônomos, empregados, auxiliares ou locatários - passaram a ter os direitos trabalhistas garantidos por lei como qualquer outro trabalhador. Além disso, a mudança afeta empresas que possuem frotas de veículos cedidos a taxistas, mas sem vínculo trabalhista com o profissional. Agora, os taxistas contratados terão direito a FGTS, 13º salário, piso e férias, entre outros. Entre as novidades, está a inscrição obrigatória no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mesmo como autônomo. A lei estabelece ainda, que os taxistas se qualifiquem. E os taxistas terão o direito de transferir para o cônjuge, herdeiros e companheiro (a) a permissão para exercer a atividade (essas pessoas passarão a ter as mesmas prerrogativas que os taxistas).

O taxista sempre será um profissional requisitado e valorizado, pois a cada dia aumenta a sua importância e o seu lugar de destaque na sociedade.

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FONTES CONSULTADAS:

Entrevista com o taxista: Sr. Walter Luiz Valger Reisen. - Vila Velha - ES, em set. 2011.

Entrevista com vários usuários do táxi - Vila Velha - ES- em set. 2011.

Aferição dos taxímetros de Vila Velha; Idade media da frota de táxis; Instalação de rastreadores;
Táxis de Vila Velha padronizados; Reajuste das tarifas de táxi. Prefeitura Municipal de Vila Velha (Seção

de Noticias). Disponível em:. Acesso em 8 Out. 2011.

Como funciona o Taxímetro. Disponível em: paradinha-preco-a-pagar-entenda-como-funciona-o-misterioso-táximetro/>. Acesso em 09 Out. 2011.

Definição de Sedã. Disponível em: . Acesso em: 07 set. 2011.

Regulamentação da Profissão Taxista. Disponível em: conteudo/2011/07/noticias/a_gazeta/economia/897452-piso-salarial-e-fgts-para-taxistas.html>. Acesso em 20 dez. 2011.

TAXISTA - Origem, História. Disponível em: . Acesso em 07 set. 2011.

TÁXI - Origem da Palavra. Disponível em: 2009/02/origem-da-palavra-táxi.html>. Acesso em 07 set. 2011.

TÁXI - Origem, História. Disponível em: . Acesso em 07 set. 2011.


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Crônica - "Taxi: Ontem, Hoje E Sempre"
Texto Do Livro "O Cair da Tarde"
Editora CBJE - Rio de Janeiro - Brasil
Julho/ 2012
Autora - Rosimeire Leal da Motta Piredda
 
 
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