NO PEITO UMA CAVERNA
Rosimeire Leal da Motta Piredda

(Às vezes, ficamos escondidos dentro de nós mesmos. A pouca ou nenhuma luz faz com que fiquemos desmotivados: não crescemos interiormente. Temos que nos adaptar ao ambiente peculiar das cavernas e isolados, morremos aos poucos sem perceber.)

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Texto Do Livro
"O CAIR DA TARDE"
Poesia e Prosa

Editora CBJE -
Rio de Janeiro
Brasil
Julho/ 2012

A estrutura do meu ser é uma rocha.
O meu interior foi dissolvido pela água da chuva,
ocorrendo uma série de processos geológicos:
uma combinação de transformações
químicas, tectônicas, biológicas e atmosféricas,
formando uma cavidade rochosa no meu peito!
Ao redor: paisagem cerrada, relevo acidentado,
alta permeabilidade do solo,
permitindo a absorção rápida das decepções!
Minha alma especializou-se em viver
em ambientes escuros e sem vegetação nativa.
O meu "eu" está refugiado numa caverna.
Esconderijo seguro contra os animais selvagens da vida!
Lágrimas desenharam no chão, desenhos,
arte rupestre dos desenganos!
Evidências arqueológicas mostraram
que eu sou da idade da pedra,
com uma mente fechada para as mudanças!
Perdi-me no tempo,
coloquei uma barreira na entrada do meu coração.
Escondi-me de mim mesma,
fechei as portas para o sol da manhã!
Isolada, morria aos poucos e não sabia.

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Poesia - "No Peito Uma Caverna"
Texto Do Livro "O Cair da Tarde"
Editora CBJE - Rio de Janeiro - Brasil
Julho/ 2012
Autora - Rosimeire Leal da Motta Piredda