TEXTOS DO LIVRO "O CAIR DA TARDE"
Poesia e Prosa de
Rosimeire Leal da Motta Piredda

Editora CBJE - Rio de Janeiro - Brasil
Julho/ 2012

 

 

 

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PROTESTO MUDO
Rosimeire Leal da Motta Piredda

(Quando nos revoltamos bagunçamos nossa vida e entramos em um labirinto de sentimentos irracionais que nos torna cada vez mais perdidos.)

 

Num ato de rebeldia,
usando tintas em spray aerossol,
pinchei os muros do meu eu.
Combinei os tons vermelho e negro,
a dor e o sofrimento,
escritos grosseiramente em letras grandes e cômicas.
A timidez amordaçou a minha boca,
mas, nas paredes da minha face,
estampei meu manifesto!
A cor cinza retocando a expressão,
a palidez ilustrando sentimentos.
Um protesto contra mim mesma!
Encarcerei-me no labirinto dos meus pensamentos,
acorrentei-me a solidão!
Eu, prisioneira e carcereira.
Meus olhos, lanterna, iluminam o vazio interior.
Todo o meu ser numa queixa muda, pública,
expressa minha reação contra minhas atitudes.
Declaração formal pela qual reclamo de mim:
brado de repulsa, de não concordância!
Meu protesto não se tornou assunto nacional...
As barreiras são de vidros.
Um pássaro pousou em meu ombro,
voou em seguida,
esnobando com a sua liberdade.
Atirei-lhe uma pedra estraçalhando a cobertura vítrea.
Prisão psicológica:
livre, porém, enclausurada.
No espelho, meus olhos perguntam a mim:
"_ Quem é você?"
Meus sonhos respondem:
"_ Eu não sei... "

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Poesia - Protesto Mudo
Texto Do Livro "O Cair da Tarde"
Editora CBJE - Rio de Janeiro - Brasil
Julho/ 2012

Autora - Rosimeire Leal da Motta Piredda
   
 
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