TEXTO DO LIVRO "VOZ DA ALMA"
Poesia e Prosa
de Rosimeire Leal da Motta Piredda

Editora CBJE - Rio de Janeiro - Brasil
Novembro/ 2005

 

 

 

 

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LIBERDADE TARDIA
Rosimeire Leal da Motta Piredda

 

Uma janela fechada.
A luz do sol invade a sala através do vidro.
Era uma abertura na parede com arco agudo,
Dividida em duas partes por uma coluna central.
Janela com dois batentes.
A parte incorpórea de mim, ajoelhada no degrau,
Visualizando o mundo lá fora,
Olhava insistentemente a vida.
A janela do meu corpo,
Prisão da alma,
Apoiada na coluna central,
Iluminada pelos raios do sol,
Não podia sair.
Estava presa em regime aberto.
Passava o dia inteiro, ali na janela,
era a única comunicação com o mundo,
não havia outras salas que recebiam luz,
apenas porões escuros e com teias de aranha.
Minha alma empoeirada e abandonada,
Não se afastava da janela.
Uma pedra vinda do lado de fora,
despedaçou a vidraça,
partindo-a em pedacinhos.
A pedra e os fragmentos da vidraça
atingiram minha alma que estava encostada na janela.
O vento rompeu a trava e a janela se abriu.
Mas, a alma ferida,
não teve tempo de aproveitar a liberdade.
Não morreu, porque já estava morta.
Seu corpo etéreo se desmaterializou no ar.
A janela eram os olhos.
O corpo sem alma tombou no chão.

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Poesia - "Liberdade Tardia"
Texto Do Livro "Voz Da Alma"
Editora CBJE - Rio de Janeiro - Brasil -
Novembro/ 2005
Autora - Rosimeire Leal da Motta Piredda
   
 
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