DEVASTAÇÃO DA NATUREZA
Rosimeire Leal da Motta Piredda


 

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Texto Da Coletânea
"Eldorado"
Diversos Autores

Celeiro de Escritores
São Paulo.
2016

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Quando a natureza foi ferida,
a derme do céu foi atingida.
Vimos o sangue se espalhar.
Alcançou a hipoderme e o sangramento foi maior e grave.
O vermelho coloriu o céu.
As plaquetas se recusaram a fazer a coagulação,
curativo natural que para o sangramento.
As células de defesa estavam fracas com a poluição
E não puderam reconstruir a área danificada.
Ainda assim, numa tentativa de sobrevivência,
surgiu sinais mínimos de renovação.
Com a esperança de que com o tempo, haveria cicatrização,
prometia amanhecer com um novo céu.
Resignou-se com a sua situação.
O corte foi muito profundo,
a devastação, irrecuperável!
A pele que nasceu ficou diferente da original, formando cicatriz.
Os jardins, absorveram toda a dor,
pincelando todas as flores com o tom avermelhado,
representando o coração da natureza,
que bate cada vez com menor intensidade.

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